Kill your parents

Texto 1 set.

Da veracidade do seus olhos a alma não escuta,
Alguma resposta à saudade da tua insana conduta.
Se a profundidade de tua cor, meu coração não desfruta, 
Invade minha mente, a tua iris, e então meu âmago furta, 

Desenvolve teus olhos nos meus, tua dança astuta
A analise crua da minha arritmia.
Grita, o meu coração, em súbita euforia; 
"Louvado seja teu sabor que vicia!" 

Tanto vicia que deprecia, 
E o amargo pranto visita, um dia,
A partida da tua pele, que então fervia.
Todavia, não retira da minh’alma a alegria. 

Esta, só teu âmago propicia, 
Composto por teus lábios de enérgica sincronia,
Quando os meus te beijam em sintonia;
Nada rompe a estranha euforia que só tua companhia providencia.  

Texto 31 ago.

Ao que indica, voltei. Talvez para assolar mais uma vez a mente alheia, ou manter-me quieto e vigilante aos passos inimigos. 
Mas quem sou eu além de meu próprio inimigo?

Texto 31 ago. O dom da repetição que desvanece

Será que continuarei trôpego até minha partida?
Meus braços cansam com facilidade.
A mente aquece com rapidez, minhas súplicas são roucas, 
Minhas inspirações são poucas,

Continuarei eu caçando, cego, a felicidade?
Minhas pernas cansam ao crescer da cidade, 
Enquanto marcham os meus membros, 
O peso aumenta em meus ombros.

Estou na flor da idade…
Próximo de meu ventre, 
De minha maternidade,
Fujo, antes que a morte entre…

Minha visão é triplicada.
E vejo muitos de meus irmãos morrendo, 
Vejo muitos de mim na calçada,
Vejo muitos de mim chorando.

Nos bares e poças, todos os cantos, 
Vejo muitos de mim aos prantos…
Vejo muitos de mim mortos, coberto por panos.
Pois no final, sou todos os humanos,

Pois no final, morro todos os anos,
Pois no final, sou eu todos os insanos, 
Pois no final, sou todos os santos,
Pois no final, sou culpado pela morte de tantos e tantos…

Texto 31 ago. Nomenclatura perdida

Deixei o frio invadir meu quarto.
Deixei o quintal encher de mato, 
Deixei o coração ter um infarto.

Larguei-o sem rumo,
No mato do quintal,
Enrolado no jornal,
Larguei-o sem nome,

Sem dono, sem começo, sem final. 
Sem peculiaridades, pinta, nem sinal. 
Sem ele, o abandono invade a mente.
Agora dominada pelo pensamento banal.

O coração não sabe o que vem à frente,
Talvez um cachorro o tormente.
Talvez alguém o pise novamente. 
Talvez alguém o fume, ou o coma de fome,

Ou talvez alguém até o pegue.
Alguém o lave em água corrente, 
Esconda-o em uma cama quente, 
E dê ao pobre coração, um nome.

Texto 31 ago. A divindade da morte

Escorre pela boca a negligência de ser humano.
Escorre pelos furos, buracos e sulcos, limpas com um pano,
Esterelizadas com álcool e pólvora.

Escorre pelo sangue do inimigo, a sanidade.
Batalhas travadas por meros demônios, em busca de santidade,
Guerra santa em nossas mentes.

Corações nervosos e gritos doentes.
Erguer o fuzil entre olhos ferventes,
Esvaziando todo seu ódio e fôlego, batalhas por verdades inexistentes.

Batalhas por filosofias errantes e inconvenientes,
Erguer a mente esvaziada por zircônio.
Pelo almejar incontrolável da dor oposta,

Pelo almejar de bombas de plutônio?
"Pelo almejar da alheia fratura exposta!"
Gorjeia o falcão, anjo da morte, como resposta.

Texto 31 ago. Descontrolados sentidos

E então meus olhos gritaram repentinamente.
Fervilhando o sangue em mim, agora ardente;
Uma batalha feroz acontecia, entre os órgãos duplos.

Onde eu olhava, ouvia súplicas.
Onde eu ouvia, olhava gritos nulos.
E meus ouvidos nada diziam. E meus olhos nada ouviam.

E minhas pernas não moviam.
Entre os rostos deformados;
O apito de meus ouvidos me fez acordar;

Enquanto meus compatriotas morriam;
Pobres e derrotados…
Ouvia-se a imagem da Santa;

Via-se a sua voz, que canta;
Entre meus sensos misturados;
Minha confusão espanta;

Entre a batalha de meu cérebro,
Meu irmão, minha santa carne;
Enquanto celebro;

Enquanto enterro;
Compatriotas inimigos, eram eles;
Civis, filhos, mortos pelo meu ferro.

Era eu, inimigo do estado;
Era eu, o dono do inferno;
Era eu, confuso, contemplando ruídos;

Aromas barulhentos entre a batalha de mim;
Rasganda a garganta de meus compatriotas;
Dos anedotas

De meus amores.
De meus livros; De seus autores;
Meu sangue para e a batalha chega ao fim.

Texto 31 ago. Doentes perguntas ao futuro

Planos futuros são provas de insuficiência do presente.
Se enquanto meu coração já não obedece como antigamente,
Por que planejar um futuro logo em frente?

Há perguntas fugindo de suas respostas,
Elas preferem ser apenas algumas incógnitas expostas.
Substituídas por outra nova, mais obscura, mais futura…

Os dias mudam e as perguntas se misturam em águas turvas,
Misturam-se entre as mais repentinas e longas chuvas,
Entre o vinho e a felicidade, ela cria seu espaço,

Mas por que responder?
Por que, aliás, tanto perguntar?
O que há com a resposta vazia e tão frequente?

Cansou-lhe como cansou de seu presente?
Se para sua pergunta tão persistente não há respostas,
Não é um pergunta, apenas teimosia doente.

Texto 31 jan. Gentil noite

A noite habita na cabeça de muitos; 
Habita na escuridão de todas as vielas. 
Que fortalece-se à luz de velas; 
A noite habita nos ruídos. 

As melodias infames dos bares; 
Cheios de seres;
Um bar iluminado de almas negras; 
A noite habita nas cabeças sem regras. 

Nas barbas vermelhas de um jovem; 
Nos olhos escuros de um cão; 
Habita, enfim, nos gritos dos pingos; 
Que chovem. 

A escuridão noturna é uma avenida; 
Elétrica, mas misteriosa; 
Vívida e antenada; 
Sempre cuidadosa; 

Em se esconder da noite fria, entre meus braços; 
Gentil como uma senhora idosa; 
A noite habita na prosa; 
Ainda mais na poesia.

Texto 31 jan. Prédios

Ando procurando um pedaço de meus ouvidos; 
Pelas músicas que por aí, pelo becos, escutei; 
Ando procurando meus sentidos; 
Que por lepra, despencaram do meu corpo; 

Ando procurando meu tato em maçanetas.
Em portas e grades de vidro; 
Não transparece a localização de mim. 
Meus gostos, meu eu corrompido. 

Ando em voltas, envolto de duvidas; 
Esqueci que perdi. 
Perdi-me no esquecimento. 
Perdi-me entre o tijolo, concreto, cimento. 

Ando em construções vazias; 
Entre as costelas do meu peito; 
Entre a expulsão do aconchego perfeito. 
As construções gemem. 

As portas rangem, junto comigo. 
O bruxismo dos prédios antigos; 
Combinam com o vazio amigável;
Prédios abandonados são meus novos amigos. 

Vídeo 31 jan.

Mortem sibi conscivit


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